sábado, janeiro 25, 2025

SÓ ISSO VOCÊ PRECISA SABER SOBRE BITCOIN

 

Terminei a leitura de “O padrão bitcoin” [1], de Saifedean Ammous, e resolvi tentar fazer um resumo do mínimo necessário para nós, cidadãos “normais”, entendermos esse tal “dinheiro digital”. Considere tudo que esteja entre aspas e em itálico, como afirmações do Autor. Vamos lá.

Para aprender sobre “padrão digital” precisamos saber um pouco sobre o mais longevo e estável dos padrões baseados em “moedas sonantes”[2]: o “padrão ouro”. Tudo começou com a busca de “algo” que fosse difícil, custoso de ser obtido,  fácil de transportar, passível de divisão em unidades menores e, o mais importante,  aceitável  e confiável como elemento universal, tanto para a obtenção de bens e serviços – meio de troca -, quanto para armazenamento para uso futuro – reserva de valor. Depois de milênios de experiências de muitas diferentes culturas – gado, sal, conchas, pedra, cobre, prata etc. – o ouro foi o elemento que atendeu todas as exigências.  

Até a criação do bitcoin[3], qualquer que tenha sido o elemento usado como padrão monetário, ele foi controlado de modo centralizado. Nos séculos mais recentes isto vem sendo feito pelo Estado através de seu Banco Central, tornando o governo da ocasião o único produtor e distribuidor do dinheiro, podendo, com isto,  “manipular” seu valor a seu bel prazer e "interesse" ideológico”[4].

Não sei a ordem que Satoshi Nakamoto[5] seguiu, mas vou considerar que, primeiro de tudo, a ideia tenha sido retirar do Estado o poder sobre o controle da moeda. Ou seja, o poder de minerar[6] (criar, produzir, emitir) a moeda digital teria que ser de tantas entidades quanto fossem os indivíduos dispostos a minerar (achar) computacionalmente bitcoins denominados “nós da rede”[7]. Esta característica significou que o bitcoin pode ser “achado” por qualquer pessoa no mundo disposta a correr o risco de perder mais dinheiro do que o resultado da mineração!!!

Resumindo: bitcoin é obtido através de um processo computacional de mineração.

Para “achar” ouro é preciso investir em sua mineração enquanto o resultado da venda do item minerado (achado) resulte em um ganho maior que o custo de obtê-lo. E o que seria este item a ser encontrado? Nada mais que a solução de um problema matemático complexo! A solução “cria” bitcoins! Como?  Os nós são incentivados, por uma certa remuneração - fixa, mas decrescente - a competirem por quem encontra a solução primeiro. O nó vencedor ganha um prêmio[8] na forma de um crédito - feito pelo programa de computador - em sua carteira de bitcoins. Pronto! Estão criados bitcoins! Simples assim! Simples? Só posso estar de gozação com o Leitor!

Resumindo: a criação de bitcoin resulta da remuneração paga ao nó por vencer uma competição matemática.

“Para que o nó insira um bloco de transações no registro, ele precisa gastar poder de processamento na solução de problemas matemáticos complicados, difíceis de resolver.” E todo processamento tem um custo de energia.

“O Mecanismo do bitcoin para estabelecer a autenticidade e validade do registro é extremamente complexo e complicado, mas serve a um propósito explícito: emitir uma moeda e movimentar valor online sem a necessidade de confiar em terceiros.”

Não me pergunte por que, mas as transações financeiras são resolvidas em blocos com várias transações a cada 10 minutos. Só o que importa é que o passo-a-passo de cada uma delas é registrado em um livro-razão (só quem fez contabilidade vai entender) denominado Blockchain (cadeia de blocos) que é armazenado em TODOS os nós da rede. Tal sistema de redundância levada ao extremo, é o garantidor da confiabilidade do sistema. Além disso há um mecanismo chamado “prova de trabalho”, em inglês PoW (Proof of Work), que tem por objetivo dificultar a alteração de um blockchain, tornando mais caro para os criminosos tentarem fraudes. 

No fim das contas tudo o que alguém precisa saber sobre o bitcoin é que é uma moeda digital criada por um programa de computador para fazer transações financeiras a serem registradas em TODOS os nós da rede, propiciando uma confiabilidade extrema, pois para fraudar uma transação é preciso fraudá-la em TODOS os nós e a um custo não compensador.

Suponha, como exemplo, que você tem uma conta no banco A e faz uma ordem de transferência para uma outra pessoa. No sistema bitcoin, sua transação, para ser completada, terá que ser registrada e validada em TODOS os bancos da rede bancária.

O bitcoin:

1 - Não pode ser alterado.

2 - Mesmo numa eventual destruição nuclear e continuaria vivo e funcional

3 - A única maneira de desligá-lo é matar todos os servidores que o hospedam. Como estão distribuídos no mundo inteiro... fica difícil.

4 - A única maneira de matá-lo é torná-lo inútil.

 

“Com este design tecnológico, Nakamoto conseguiu inventar a escassez digital. O bitcoin é o primeiro exemplo de um bem digital que é escasso e não pode ser reproduzido infinitamente.”[9]

“Desvantagens econômicas da tecnologia Bitcoin:

1 - Redundância - Não há uma boa razão para um banco querer compartilhar um registro de todas as suas transações com todos os bancos, nem há uma razão para um banco querer gastar recursos significativos em eletricidade e poder de processamento para registrar as transações de outras instituições financeiras entre si.

2 - Escala - uma rede distribuída em que todos os nós registram todas as transações verá seu registro de transações em comum crescer exponencialmente mais rápido que o número de membros da rede.

3 - Conformidade regulatória - aplicar a tecnologia blockchain em indústrias fortemente regulamentadas, como direito ou finanças, com moedas diferentes de bitcoin, resultará em problemas regulatórios e complicações legais. Além disso. Um blockchain opera online através de jurisdições com diferentes regras regulatórias, portanto, o cumprimento de todas as regras é difícil de garantir.

4 - Irreversibilidade - quanto maior a rede, mais difícil é reverter qualquer transação equivocada. Erros humanos e de software ocorrem constantemente no setor bancário e o emprego de uma estrutura de blockchain resultará apenas na correção mais dispendiosa desses erros. Essa reversão é praticamente impraticável e improvável no bitcoin. Principalmente porque todas as partes da rede bitcoin só podem ingressar na rede concordando com as regras de consenso existente.

5 - Segurança - A segurança de Um banco de dados blockchain é totalmente dependente do gasto do poder de processamento na verificação de transações e na prova de trabalho. A tecnologia blockchain pode ser melhor entendida como a conversão de energia elétrica em registros indiscutíveis, verificáveis de propriedade e transações.”

 

“Converter Bitcoin em reais é uma tarefa bastante simples através das corretoras, sendo necessário apenas confirmar e executar a ordem. Via um livro de ofertas de compra e venda, gerido pela corretora, essas compras de pequeno e médio porte podem facilmente ser executadas.” ATENÇÃO (Disclaimer hipócrita): Esta não é uma indicação de compra, portanto, não venha a me atribuir responsabilidade sobre perdas que você vier a ter!!!

Encerrando, que já se faz hora!, deixo três observações.

De Michael Kremer, prêmio Nobel de economia: “O fator fundamental do progresso humano não são as matérias-primas, mas as soluções tecnológicas para os problemas”.

De Timothy May, engenheiro eletrônico : “A anarquia criptográfica é a realização ciberespacial do anarcocapitalismo, transcendendo as Fronteiras nacionais e libertando os indivíduos para fazer os arranjos econômicos que desejam fazer consensualmente”.

E final do final:

De Saifedean Ammous: “Para o bitcoin processar as 100 bilhões de transações que a VISA processa por ano, cada bloco precisaria ter cerca de 800 MB [hoje tem 1MB], ou seja, a cada 10 minutos, cada Nó do bitcoin precisaria adicionar 800 MB de dados em 1 Nó. Cada Nó de um bitcoin adicionaria cerca de 42 TB de dados, ou 42.000 gigabits ao seu blockchain. Tal número está completamente fora do domínio do possível poder de processamento de computadores disponíveis no mercado agora ou no futuro próximo”.

Paulo Vogel

Neste meio, eu sou mensagem.

Jan/25 



[1] Você encontra o extrato que fiz em http://www.hipocrisia.blog.br/ExtratoDePadraoBitcoin.htm; e mais informações em https://pt.wikipedia.org/wiki/Bitcoin e em https://cryptohead-io.translate.goog/what-are-the-math-problems-in-bitcoin-mining/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc

[2] Moeda sonante é o termo usado para se referir a moedas de metal que estão em circulação num país.

[3] ATENÇÃO: bitcoin não existe fisicamente, ele é resultado de processamento de dados realizados por um programa como o que você utiliza em qualquer dispositivo eletrônico.

[4] Por exemplo, nos tempos antigos, tornando a liga do metal mais impura; nos tempos modernos, simplesmente “imprimindo” mais moeda, o que passou a ser conhecido como “moeda fiduciária”, processo que sempre resulta em inflação.

[5] Satoshi Nakamoto é o pseudônimo usado por uma rede de programadores (liderados por um japonês não identificado até hoje), para se comunicarem entre si. Sempre que eu citá-lo, portanto, estarei me referindo a esta rede de programadores.

[6] O termo foi inspirado no processo de extração de metais denominado de mineração. A criação de bitcoins resulta de um processo de mineração (procura), tal como o de minerar ouro.

[7] Há limites para a quantidade de nós assim como outros limites que o Leitor pode descobrir nos links já sugeridos.

[8] O valor do prêmio começou em 50 bitcoins e vem caindo à metade a cada 4 anos. Atualmente está em 3,125 BTCs.

[9] “De acordo com o cronograma criado por Nakamoto, a oferta continuará a aumentar a uma taxa decrescente. Aproximando-se de modo não regular a 21.000.000 de moedas em algum momento do ano 2140, momento no qual não haverá mais bitcoins emitidos. (...) A taxa decrescente de crescimento [aquela de 4 em 4 anos], no entanto, significa que os primeiros 20.000.000 de moedas serão minerados por volta do ano 2025, deixando 1.000.000 de moedas para ser extraído por mais um século.” Tal limite tem por base o que Saifedean afirma: qualquer oferta de moeda é suficiente para administrar qualquer economia”. 

  

quarta-feira, janeiro 01, 2025

ENFIM, A RESPOSTA!

 THE DAY OF TURNING POINT

 

Alvíssaras! Este primeiro dia de janeiro, para mim e depois de mais de 70 anos, ficará marcado como o primeiro dia em que começo e comemoro o Ano Novo com, finalmente, minhas esperanças no mais alto grau de expectativa!

Os últimos 7 anos, para todos nós que partilhamos e exaltamos valores humanos – família, moralidade, liberdade, integridade intelectual e respeito irrestrito à individualidade e autodeterminação -, foram pautados por indignação, revolta e incompreensão, fatores que nos levaram, consciente ou inconscientemente, a nos fazer uma só pergunta: “o que move e sustenta um homem a agir diuturnamente contra uma Nação”?[1]

A pergunta buscou resposta durante todos estes anos, mas neste final de 2024, nos Estados Unidos, precisamente no dia 27/12/24, um homem, Mike Benz, em entrevista ao podcast de Joe Rogan, trouxe a público as razões e as respostas para a angústia de todos nós.  Desde que percebi a “sina”  implacável e insana do sistema – conhecido como “o establishment”[2] –, primeiro contra a possibilidade de eleição de Bolsonaro e, depois dele eleito, a favor de derrubá-lo do poder ou pelo menos não permitir sua reeleição, só encontrei duas fontes de justificativa: 1) chantagem a partir de retaliação moral pública e/ou 2) a partir de ameaça à vida do chantageado ou de entes queridos[3]. A primeira se justificaria se alguma “entidade” acima da soberania nacional (de origem interna ou externa) com o pagamento pecuniário direto, imediato, pelo comprometimento e comprovação do agir segundo “as ordens”, ou, então, pela promessa de poder e fortuna quando do atingimento da meta fundamental. Estas duas únicas alternativas justificavam (e ainda justificam) que um homem – agindo com poder delegado - representando os interesses imediatos de um grande aglomerado de instituições e cidadãos, permanecessem (e ainda permaneçam) unidos no silêncio aprovativo do estupro de uma Nação. Refletindo sobre as ações e razões de todas as pessoas com quem convivi por estes mais de 70 anos, não fui capaz de encontrar nada além destas duas alternativas que façam alguns cidadãos se submeterem de maneira tão servil, tão publicamente humilhante, como temos assistido nestes últimos anos. Pergunte-se: o que o faria se transformar em um verme?

Neste ponto, vou me interromper. Para entender o que ainda tenho a dizer você precisa assistir pelo menos a estas duas postagens: 1) à introdução/apresentação feita pelo jornalista Fernão Lara Mesquita (o conteúdo do link que ele fornece é muito longo e só vai ser relevante se você, ao final deste artigo, quiser se aprofundar em mais detalhes); 2) depois, e mais importante, assista ao post da juíza auto exilada nos Estados Unidos, Ludmila Lins Grillo[4], ressaltando trechos que mais interessam a nós, brasileiros, da entrevista do Mike Benz.

Fernão Lara Mesquita, no canal Vespeiro: https://www.youtube.com/watch?v=XPGF8lepB4I

Ludmila Lins Grillo, no canal TV Florida: https://www.youtube.com/watch?v=wu1hzJXRhOw                                

Em fim, a resposta! Agora você, meu Leitor, já a tem. Impressionante como o que Benz diz explica tudo aquilo com que temos nos indignado dia sim, outro também. A alternativa “1” é a inimaginada, inconcebível (quanto à intensidade e abrangência) e insana resposta que coloca tudo às claras, sob a luz das informações de quem esteve "dentro" do sistema. O “capo di tutti capi”, despido de seus trapos feitos de fios de hipocrisia, tramas de mentiras e cores borradas de intenções suspeitas, está nu em todas as "ágoras" públicas, digitais ou presenciais.

Considerando que o exposto publicamente, é, realmente, uma “bomba” no seio do “sistema”, que despedaça e expõe o núcleo de um projeto de psicopatas em conluio pela busca do phoder absoluto sobre o mundo ocidental (no mínimo); considerando que o entrevistado fez parte do primeiro governo Trump, e voltará a fazer parte agora; e considerando que Trump já deu declarações sinalizando que pretende agir para o total desmonte dessa maluquice política internacional, resta-nos imaginar e esperar pelas consequências a partir da posse do presidente eleito.

E o ciclo se renova. Voltamos a ter perguntas sem respostas, ainda:

1 – Que Nações se unirão – ou já estão se unindo - em uma reação a partir da indignação das elites não-agraciadas e deixadas de fora pelos “líderes” atuantes?

2 - Trump tomará posse?

3 – Trump será assassinado em algum momento de seu mandato?

4 – Trump será “legitimamente” afastado do governo?

5 – Quem vencerá esta queda de braços pelo phoder?

6 – E última e mais determinante: 20 de janeiro de 2025 ficará na história futura da humanidade como “the day of turning point”? Um verdadeiro “cavalo-de-pau” de 180º mudando a “nova ordem mundial” para a direção inversa?

Paulo Vogel

Neste meio, eu sou mensagem.

Jan/25 


 


P.S.: Fernão Lara Mesquita teve a pachorra de traduzir toda a entrevista. Leia aqui (role a tela até achar e é longo): https://vespeiro.com/2024/12/24/entrevista-mais-importante-da-decada/

 



[1] Uso “um homem” apenas como símbolo. Todos sabemos que “este homem” foi e é tão-somente um escolhido e nomeado representante de uma ideia a ser praticada por um enorme contingente de instituições e pessoas. Isto vai ficar claro mais à frente.

[2] No dicionário “Oxford Languages” temos os seguintes significados:” 1) a ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado; 2) a elite social, econômica e política de um país”.

[3] Chantagem é um crime que envolve uma ameaça com a intenção de compelir uma pessoa a fazer um ato contra sua vontade ou tomar o dinheiro ou propriedade de uma pessoa. Na chantagem, uma ameaça pode ou não consistir em lesão física a uma pessoa ameaçada ou a alguém amado por essa pessoa.

[4] Punida com aposentadoria compulsória "por ter feito manifestações de cunho político nas redes sociais".