A
pandemia da COVID-19 introduziu, no processo de desenvolvimento da digitrônica,
uma variável nova, não esperada, de amplitude global, e com um poder de
transformação social e econômico ainda não dimensionado corretamente. Desconsideremos
a origem do vírus, as razões que o levaram a se expandir e todas as teorias de
conspiração. Vamos partir de um olhar sobre a inter-relação entre a digitrônica
e esta pandemia, para chegar à projeção de um futuro próximo onde se imagina
virmos a adotar novos padrões de comportamento na condução de nossas vidas.
Alguém
estimou recentemente que a pandemia acelerou o processo de expansão dos padrões
digitrônicos em pelo menos 5 anos. É provável. A aceleração provocada pela
velocidade de propagação do vírus, associada ao total desconhecimento sobre
seus efeitos e inexistência de tratamento, trouxe para o debate em rede gente
de todos os lados, nível de formação/conhecimento, matizes de pensamento,
posicionamento político, correntes de pesquisa etc.
O
surgimento de “youtubers” nestes últimos 8 meses foi explosivo. Em muitas
áreas. O confinamento nos tirou dos espaços - praças, ruas, trabalho, bares,
futebol etc. - onde nos reuníamos para nos informar, opinar e protestar, e nos
limitou a uma tela – de celular, notebook, computador e/ou televisão –,
apresentando um rosto, muitas vezes desconhecido até então, com o qual passamos
a dialogar, discutir, e tomar como fonte primária de informação.
A
pantrônica é a fase da digitrônica em que nos foi proposto/imposto um mundo
confinado entre nossas próprias 4 paredes, condenados a um não-viver,
sentenciados sem sentença, sem recurso, e sem um “Supremo” que nos salve. A
pantrônica nos colocou em quarentena indeterminada e trabalhando em nossas
instalações caseiras (e precárias para a maioria dos brasileiros), junto com
nossos filhos apartados do acesso à formação e ao conhecimento, num convívio
novo e difícil para pais e filhos. Ela nos tirou beijos, abraços, carícias, cumprimentos, inter-relações e proximidade. Se aumentou o convívio matrimonial, expôs rusgas, diferenças, desavenças, aumentou o número de divórcios, de suicídios e de agressões físicas.
Por conta e ordem de governadores e prefeitos, boa parte da classe média formada pelos comerciantes de pequeno e médio porte ruiu, faliu, e, tendo dilapidado um patrimônio amealhado por anos, migrou para um ou mais degraus abaixo na escala socioeconômica. Destruiu quase que totalmente um setor inteiro, o de viagens (a trabalho e turismo). Consequentemente, os gigantes da indústria da aviação devem estar às voltas tentando descobrir para onde ir. Você já parou para imaginar quando vai ser preciso construir novos aviões tendo milhares parados em solo e demandando manutenção? Para não acusá-los de não serem equânimes, e já que não faziam mesmo parte da "força de trabalho" formal, jogaram a quase totalidade dos trabalhos informais nos programas assistenciais do governo federal. Nem catador de latinha ficou de fora.
A
pantrônica expôs de um modo chocante a hipocrisia dos políticos, seus
interesses escusos, a crueldade da corrupção que não arrefece nem quando se trata da saúde dos cidadãos, evidenciou a “guerra” entre
nações e a intolerância religiosa perigosa e assustadoramente crescente.
A
pantrônica nos oprimiu. Aos reagentes à detenção involuntária, por
desobediência civil ou por necessidade de sobrevivência, nos impingiu o uso de
uma máscara ineficaz quanto à proteção de nos infectarmos, mas que cumpre o
papel de nos lembrar segundo a segundo que somos manipulados por um poder
disseminado, distribuído por cidadãos cooptados pelo medo. Pelo medo, me sinto
no direito de apontar o dedo, ou a voz, para aquele que não a está usando. Pelo
medo de ser acusado como responsável por alguém ser contaminado, dirigentes de
empresas contratam “fiscais da moral do comportamento social” para se postarem
nas portas de suas instalações armados de spray com álcool e medidor de
temperatura (ai de você se se negar a ser submetido!).
A pantrônica colocou nos “trading topics” das discussões políticas o que há
décadas é discutido sem que se tenha um consenso: a renda mínima para a
população dos excluídos da vida econômica moderna. Não só. As pessoas não tendo
coisa melhor para fazer no enclausuramento forçado, voltaram debater sobre
escola sem partido, ideologia de gênero fora e dentro das escolas, cotas
raciais para tudo etc.
A
pantrônica não vai terminar tão cedo por mais cedo que se tenha uma vacina
amplamente testada, eficaz e segura. É só você fazer um exercício básico.
Comece imaginando quando se iniciará um processo de retrocesso nas medidas
autoritárias a que estamos submetidos. Depois, tende desenhar um plano para tal
desarticulação (lembre-se das idas e vindas que já estamos assistindo em muitas
cidades) e acrescente aquela variavelzinha sempre incômoda: o tempo. Não pare
por aí. Vá juntando um fato científico aqui outro ali, para descobrir que
imunizar 7,5 bilhões de indivíduos vai levar certo tempinho. E acrescente a
cerejinha do “cupcake”: os debates acirrados sobre a aplicação voluntária ou
compulsória da “vachina” ou que outro rótulo ela venha ganhar.
Finalizando.
A “combo” promocional China-vírus-disseminação-políticos-pseudocientistas-medo-de-morrer,
vai levar muitos anos para sair de oferta. Façam suas apostas.
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