Tive que sair para comprar álcool em gel.
Coloquei a máscara que eu mesmo fiz e fui de carro à rua principal do comércio.
Passei por mais de duzentas pessoas e apenas 3 usavam máscara.
Fui à farmácia e nenhum dos atendentes, inclusive as caixas, não usavam nem máscara, nem luvas (M&L). Passei pelo posto e nenhum frentista usava máscara, pelo menos.
Enquanto isso Bolsonaro e Mandetta se
bicam sobre o imediato e ambos não se dão conta de que há uma realidade que irá
se impor independente do que pensam, do que acreditam, do que fazem, do que
discordam. Enquanto o Ministro se concentra em evitar o caos na estrutura hospitalar,
o Presidente se preocupa com a paralisação da economia. Se bicam quando se
complementam, pois se qualquer delas se efetivar, milhões e milhões de
brasileiros serão drasticamente afetados.
Presidente e ministros, principalmente os da Saúde, da Economia, da Infra-estrutura e da Educação, ainda não perceberam, ou, se perceberam ainda não estão agindo para nos antecipar à nova realidade que se estabelecerá no dia depois desta pandemia. Uma prova desta miopia é a campanha que acaba de ser lançada pelo governo para ensinar à população a fazer máscara caseira. Chegaram atrasados. Nas redes sociais há dias circulam vídeos mostrando as mais variadas formas delas serem feitas. Isto todos nós podemos fazer. O que a cegueira não deixa ver é que nós não temos força para obrigar o uso de M&L a todos os que desejam ou precisam ir às ruas, e os que trabalham atendendo o público. Só as instituições que detêm legalmente o poder de polícia é que o podem. Os chineses já sabem o valor do uso de máscara há muito tempo, basta ver o vídeo ao final deste post.
E a razão para a ação dos governos de todos os níveis em fazer cumprir tal obrigação é muito simples: no dia depois da pandemia uma nova vida se imporá, com novos padrões de higiene pessoal, com uma estrutura hospitalar muito mais bem preparada e, queiramos nós ou não, o uso de M&L será o melhor instrumento que teremos para enfrentar os próximos COVIDs, porque isto é o mais eficaz para a redução da transmissão do vírus.
As consequências que esta pandemia irá causar na humanidade serão tão devastadoras para a continuidade da vida dos sobreviventes que a discussão sobre quarentena, vertical ou horizontal, será considerada como um delírio de um passado a ser esquecido.
Simplesmente o mundo
levará alguns anos para recuperar o nível médio de qualidade de vida que
existia até dezembro de 2019, independente de qual ele era. Ou somos instados
pelo Estado a obedecer a determinados padrões de conduta em ambientes públicos,
ou iremos assistir os miseráveis e desassistidos sendo enterrados em valas
comuns; a ver regiões pobres ficando mais pobres; ricos vendo parcela de seus
patrimônios virando pó; taxas de desemprego atingindo patamares jamais
alcançados; falência de negócios (micro, pequenos, médios e grandes) varrendo o
mundo; países que até aqui tinham no turismo internacional um importante
gerador de renda nacional, tendo suas atrações antes repletas de gente, transformadas em locais desertos. Isto e outras consequências provocarão a mais profunda
depressão econômica. A paralisação provocada pela quarentena como está posta,
está afetando o mais básico fundamento da economia de mercado: a quantidade de
transações monetárias em um dado sistema, ou seja, quanto menor o total de
transações, mais pobre é uma sociedade. Onde não há uma dinâmica de troca de
serviços e mercadorias todos perdem mesmo aqueles que no período de crise são
enganosamente beneficiados, pois terão o patrimônio desvalorizado, seja em
ações em bolsa de valores, em imóveis etc., tal como todos nós.
Esta é uma constatação, não uma crítica a qualquer estratégia. A tomada de decisão em situações críticas e, pior, quando envolve vida ou morte de cidadãos, é dificílima (assistir as aulas de Michael Sandel no YouTube). Chamo a atenção para a necessidade do reconhecimento de que outros vírus nos acometerão no futuro e que não poderemos estar tão despreparados, tão sem táticas de prevenção e proteção, como estivemos até aqui, pois não podemos ter uma outra crise econômica como a que enfrentaremos nos próximos meses. Uma resultante paralisação das atividades em todos os setores da economia simplesmente não poderá se repetir.
A atual alternativa de quarentena só se justifica, grosso modo, porque: 1) a infra-estrutura de saúde não tinha (e ainda não tem) capacidade para lidar com o volume de casos que demandam assistência hospitalar; 2) a indústria de insumos para produção de equipamentos está nas mãos de pouquíssimos fornecedores; 3) a população não tem hábitos de higiene pessoal e de práticas de interrelacionamento e convívio social capazes de reduzir as chances individuais de infecção; e 4) a falta, no nosso caso, de saneamento básico para mais de 50% dos brasileiros.

Se a minha descrição
sobre nosso futuro cotidiano tem algum sentido, muito mais lógico e necessário
que ficar em casa (relativamente poucos podem), é nos obrigarmos já ao uso de M&L, na rua, no trabalho, no convívio social. Errados estão todos que insistem em
circular e trabalhar sem máscara como constatei hoje. Errados estão todos os empregadores que não disponibilizam M&L para seus funcionários conforme a característica de cada atividade. Errados estão os
governantes que, como o Prefeito daqui, acaba de bloquear todos os acessos à
cidade, sem ter, obviamente, a menor noção do dano que está causando a mais de 300 mil pessoas.
Em algum dia depois
do COVID-19 virá o COVID-20 ou qualquer novo vírus com novo mnemônico. Nos dias
depois, portanto, teremos que estar preparados e habituados às novas regras
deste que será um mundo novo, cabendo a nós decidir se será maravilhoso ou ...
COMO AGEM OS CHINESES DE HONG KONG
OS TESTES QUE OS JAPONESES FIZERAM
DEBATE NA CNN EM 7/4/20
Eis um testemunho que reforça a minha opinião de que o assunto máscara deveria ter sido tratado de forma mais responsável pelos especialistas e governo logo no começo. A campanha deixem as máscaras para os agentes de saúde foi uma tremenda burrice porque a transmissão tem que ser combatida no vetor de transmissão, ou seja, evitar a propagação pelas próprias pessoas. Cheguei a ouvir de especialistas entrevistados na grande rede de TV, no início da pandemia, que as pessoas que estavam utilizando máscaras eram esnobes.
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