
Nos primórdios, na idade da pedra, antes dela e um tanto depois, é razoável imaginar que nossos ancestrais trogloditas não tinham o que desejar ou invejar. Quaisquer pequenos grupos caçadores-coletores que se deparassem no meio da savana africana, ao mesmo tempo em que assumiam uma atitude defensivo-agressiva perante o outro num primeiro momento, depois de superadas as incertezas deviam perceber serem essencialmente iguais em aparência, modo de vida, necessidades, dúvidas e medos.
Esse quadro pode não ser o melhor instantâneo de um passado onde a humanidade ainda não conhecia a propriedade privada e todos os indivíduos partilhavam de um similar modo de vida, mas qualquer outra visão será muito semelhante no reconhecimento de que houve uma época em que não havia o que almejar além de garantir o sustento e se manter vivo, livre da fome das feras predadoras do homem.
A escassez de alimentos e/ou uma eventual drástica mudança climática obrigaram os humanos a cultivar a terra e a nela se fixar por longos períodos para produzir no hoje o alimento de amanhã. É aí que as diferenças se manifestam e passam a reger, ou no mínimo, interferir nas inter-relações tribais, pois houve os que viram no trabalho a saída para a sobrevivência e aqueles que, por preguiça ou incapacidade, apenas usufruíram do trabalho alheio. Não à toa, tal mudança é considerada como a primeira revolução na estrutura social até então vigente. Daí para a adoção do conceito de propriedade, tanto da produção, quanto da terra, foi a consequência óbvia, e associada ao excedente de produção, a humanidade, sem querer, criou o "mercado", onde produtores aumentavam suas posses fazendo escambo de seus produtos por outros de seu desejo.


As cidades - no princípio pequenos aglomerados - surgiram para atender a necessidade de pontos de troca e de oferta de serviços agregados (transporte de mercadorias, produção de ferramentas, sementes etc).
Uma pequena digressão. Me vem à mente um dito popular, mas revelador de quem saiu no lucro, de que na busca do ouro quem mais obteve proveito foram aqueles que garimparam oportunidades de comercializar produtos e serviços que atendessem as necessidades dos mineiros. Seria mais ou menos isso que ocorreu na antiguidade? Voltemos ao tema.
Uma pequena digressão. Me vem à mente um dito popular, mas revelador de quem saiu no lucro, de que na busca do ouro quem mais obteve proveito foram aqueles que garimparam oportunidades de comercializar produtos e serviços que atendessem as necessidades dos mineiros. Seria mais ou menos isso que ocorreu na antiguidade? Voltemos ao tema.
Impossível se torna a participação de todos como nos primórdios das cavernas, quando um grupo era uma família (ou pouco mais que isso), sendo fácil de controlar e identificar transgressores. Quando surgem os agrupamentos, "todos" passa a significar um contingente de indivíduos, ou melhor, de tribos que, em conjunto, formam um corpo difuso, confuso, desordenado e descontrolado.
O advento das cidades exigiu a elaboração de acordos sociais, de regras regulatórias para um razoável e estável convívio de indivíduos e para que as trocas de mercadorias e serviços ocorressem num ambiente de equilíbrio entre as partes envolvidas nas transações. Indivíduos mais ousados, mais ambiciosos, almejaram o controle e assumiram a tarefa de legislar sobre a massa, controlar sua aplicação e punir os transgressores.

Considerando o aspecto sistêmico, os humanos passam a se dividir entre os que mandam - os que têm a força - e os que obedecem. Acredito que por milênios tal condição não mereceu qualquer questionamento. Foi um período em que "assim é a vida" e estamos conversados. Não por vontade, mas pela falta de recursos de comunicação para aglutinar os cidadãos em torno de uma ideia que os levasse a uma revolta contra o status quo. As primeiras construções de sistemas políticos se deu com base no princípio de que alguns humanos eram mais humanos que outros, que alguns eram eleitos pelos deuses e deuses não eram questionados: senhores são senhores e vassalos são vassalos. Tal aceitação, portanto, não gerava qualquer frustração e sentir-se excluído ou desconsiderado não tinha o menor sentido. Simples assim. Hoje, não mais.

Não sou historiador. O máximo que me atribuo é a capacidade de olhar para o passado e tentar descobrir o que fez com que a história (qualquer que seja o período considerado) tenha sido do jeito que foi. A partir daí, avaliar o processo que nos fez estar onde estamos e, consequentemente, ter alguma ideia das consequências sobre o futuro.
A síntese das sínteses que apresentei nos parágrafos acima, com todos os erros históricos contidos, tem o único intuito de preparar uma base referencial de um mundo do passado para poder apresentar algumas ideias sobre o ser humano em nossos dias sob a égide da nova era digitrônica.
Até o próximo sábado.
(*) Só a existência de um período marcado pela Inquisição bastaria para realçar tal poder, mas neste link você tem acesso a um quadro geral da Igreja na Idade Média.
(*) Só a existência de um período marcado pela Inquisição bastaria para realçar tal poder, mas neste link você tem acesso a um quadro geral da Igreja na Idade Média.
As imagens aqui inclusas foram obtidas na internet e sem identificação de autor. Caso você seja autor de alguma, por favor me informe.
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