Eremildo, personagem criado pelo jornalista Elio Gaspari, é um idiota. Ele não entende as coisas da política. Mas está no dicionário que idiota é aquele que "carece de inteligência". Eu não acho que careço de inteligência. Nem acho que meus amigos ou o "povo" brasileiro careçam de inteligência. Lula não estudou, não gosta de ler, mas é voz corrente que "Lula não é idiota, é muto inteligente!" Então tá.
Posto que não somos idiotas, se impõe nos vermos em outra categoria a considerar o que o grande conglomerado Oligarquia & Mídias Tradicionais nos apresentam diariamente. É aí que eu me sinto um Otário da Silva. Ou, mais apropriadamente, um Otário Von Vogel. Nunca me dizem a verdade. Tudo o que ouço é carregado de hipocrisia. É um volume incalculável de "me engana que eu gosto". Mas eu não gosto!
Vejamos esta intervenção militar na área de segurança do Estado do Rio de Janeiro. Nos poucos noticiários a que dei atenção, só ouvi de tudo sobre combater consequências. Sobre eliminar causas, nada. Todos, igualmente, ignoram o passado. Ninguém estudou história, nem ao menos consultaram as decisões de passados mais recentes como vou procurar mostrar mais à frente.
Começo pela fala do General Augusto Heleno, general da reserva, primeiro comandante da força militar da ONU no Haiti, na entrevista à Rádio BandNews (também participou do programa Painel, da GloboNews, em 17/2/18). Acredita ele que haverá uma "intensificação do trabalho de inteligência nas operações pontuais em cima de alvos compensadores (...). Eu acredito (...) que a regra de engajamento seja modificada. Nós tínhamos no Haiti regras (...) que permitiam (...) [que o sujeito] que fosse o (...) fosse o ator de um ato ou intenção hostil, (...) o Comandante (...) e até o nível de sargento, tinham poder para (...) agir chegando inclusive à letalidade, podia matar o indivíduo".
E mais à frente.
"Estou raciocinando com (...) Ações onde haja muito pouca troca de disparos. Onde os disparos aconteçam de um lado só e a morte aconteça do outro lado. Eu vou ter mortos sim, mas vou ter morto do lado certo."
O General, respaldado por uma vivência focada na guerra, ou seja, em estratégia para que soldados "do lado certo" matem soldados "do lado errado" (e vice-versa) crê resolver a questão.
No campo de batalha, estaria certíssimo. Mas, o General, como tal, só consegue interpretar como uma guerra aquilo que é consequente de um caos social. Não é uma guerra. Se queremos usar metáforas, a que mais se presta ao Brasil é um faroeste tupiniquim de mocinhos (o lado certo) contra bandidos (o lado errado) - aí sim é possível pensar em disparos certeiros onde a morte aconteça apenas do outro lado. Sendo o mocinho ou o bandido aquele que sai morto, no dia seguinte tem um novo no seu lugar. Guerras terminam com um general, seja ele do lado certo ou do errado, levantando a bandeira branca em sinal de redenção.
O que o General, a mídia e a oligarquia dirigente corrompida, e políticos atrás de voto, ignoram, é que dar segurança para uma cidade, estado ou país, não tem um fim com a morte dos soldados "do outro lado" seguida de um acordo celebrando o fim da guerra onde constam cláusulas de alguma compensação que será paga pelos cidadãos sobreviventes, outras que protegem o destino dos Generais derrotados e outras a glória dos vencedores. Mas o fato principal é: ao eliminar os cabeças, os soldados sobreviventes voltam em paz para suas famílias.
No campo de batalha, estaria certíssimo. Mas, o General, como tal, só consegue interpretar como uma guerra aquilo que é consequente de um caos social. Não é uma guerra. Se queremos usar metáforas, a que mais se presta ao Brasil é um faroeste tupiniquim de mocinhos (o lado certo) contra bandidos (o lado errado) - aí sim é possível pensar em disparos certeiros onde a morte aconteça apenas do outro lado. Sendo o mocinho ou o bandido aquele que sai morto, no dia seguinte tem um novo no seu lugar. Guerras terminam com um general, seja ele do lado certo ou do errado, levantando a bandeira branca em sinal de redenção.
O que o General, a mídia e a oligarquia dirigente corrompida, e políticos atrás de voto, ignoram, é que dar segurança para uma cidade, estado ou país, não tem um fim com a morte dos soldados "do outro lado" seguida de um acordo celebrando o fim da guerra onde constam cláusulas de alguma compensação que será paga pelos cidadãos sobreviventes, outras que protegem o destino dos Generais derrotados e outras a glória dos vencedores. Mas o fato principal é: ao eliminar os cabeças, os soldados sobreviventes voltam em paz para suas famílias.
Como tem como objetivo apenas matar os soldados "do lado errado", é preciso que tenha um prazo para que a tarefa seja executada e possam ser extraídos índices de sucesso. Ou insucesso. Saberemos em 1 de janeiro de 2019. Neste dia seguinte, as tropas voltarão para seus quartéis de origem, deixando como resultado um número estatístico de pobres, pretos-mulatos-brancos, mortos nas vielas das "comunidades". Jovens sem pátria, sem direitos, e profundamente frustrados com a consciência de que o único futuro que lhes é permitido é o presente tomado na marra, na porrada, no arrastão, e do orgulho de por uns poucos dias ou meses foram poderosos portando uma arma de alto poder letal. Ao final da intervenção, o crime organizado mais organizado estará, com certeza. Os "generais" dos comandos das facções, estarão repondo soldados e articulando novas ações. Ao final e como sempre no passado e no futuro, sobrarão mães destroçadas com a perda de forma brutal, violenta, de seus filhos.
Esta intervenção não acabará com o fim do conflito. O General Heleno fala em usar "trabalho de inteligência" para atingir "alvos compensadores". Eu e o General devemos ter visões diferentes sobre o que sejam tais alvos. De minha parte, penso que seriam os chefões de facções criminosas, as portas de entrada do tráfico de armas e drogas, a expulsão de agentes corrompidos no seio das instituições ligadas à segurança e a identificação de advogados e políticos que acobertam, garantem. por ação própria, ou por ação legislativa, ou por ação executiva, ou por ação judicial, a manutenção de tudo como está. Da parte do General... não tenho ideia do que ele quis dizer.
A diferença entre o ontem, sem intervenção e sem Generais, e o hoje, será só uma questão de quantidade de mortos a se acreditar na eficiência que todos na hierarquia desta "solução", esperam.
Esta intervenção não acabará com o fim do conflito. O General Heleno fala em usar "trabalho de inteligência" para atingir "alvos compensadores". Eu e o General devemos ter visões diferentes sobre o que sejam tais alvos. De minha parte, penso que seriam os chefões de facções criminosas, as portas de entrada do tráfico de armas e drogas, a expulsão de agentes corrompidos no seio das instituições ligadas à segurança e a identificação de advogados e políticos que acobertam, garantem. por ação própria, ou por ação legislativa, ou por ação executiva, ou por ação judicial, a manutenção de tudo como está. Da parte do General... não tenho ideia do que ele quis dizer.
A diferença entre o ontem, sem intervenção e sem Generais, e o hoje, será só uma questão de quantidade de mortos a se acreditar na eficiência que todos na hierarquia desta "solução", esperam.

Ora, direis, o que então estás a dizer, ô pá!
Aguardem o próximo capítulo, digo, post.
Ass: Otário Von Vogel
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