segunda-feira, março 16, 2026

REFLEXÕES SOBRE O ESTOICISMO


Confesso que nada sabia sobre os conceitos da filosofia estoica. Exceção ao “ouvir dizer” que estoicos são aqueles que se bastam, que não atribuem os infortúnios da vida a qualquer entidade fora de si mesmos. Exceção a saber que Epiteto e Marco Aurélio foram dois de seus expoentes. Minha identificação como estoico, portanto, era superficial, frágil.

Graças a um desses “encontros” proporcionados pelos fluxos de Eventos/Instantes[1], assisti, muito recentemente, a um filme americano cujo personagem principal é um professor que tem por hábito presentear aniversariantes com uma edição de “Meditations”,  obra de autoria do Imperador Marco Aurélio, escrita, portanto, há quase dois mil anos. Graças a Eventos/Instantes passados que me trouxeram informações sobre os interesses de meu neto Diogo, lhe sugeri a leitura da edição em língua inglesa[2], ao que ele respondeu com um “Já li” e que até o consultava como uma das fontes para suas reflexões. Como temos trocado ideias e percepções sobre a vida, encomendei a edição  em português que veio acompanhada de duas outras: “A Arte de Viver”, de Epiteto, e de “Sobre a brevidade da vida”, de Sêneca, outro estoico que viveu no século I DEC.

Comecei por Marco Aurélio (121-180 DEC) que registrou suas ideias no período em que governou o Império Romano entre 161 e 180  (em co-regência com Lúcio Vero, de 161 a 169; sozinho, de 170 a 177; e com Cômodo, seu filho, de 177 a 180,  quando de sua morte.

Me chamou a atenção a aceitação em dividir o poder. Com Vero, foi a primeira vez que dois imperadores dividiram o poder absoluto em Roma, e desconheço as razões para tal arranjo, mas a segunda foi por escolha sua, obviamente garantindo que a hereditariedade do poder não viesse a ser questionada.

O Imperador não “dava ponto sem nó”. Seus escritos, inspirados em Sêneca e Epicteto, são um pacote de regras morais para garantir a governabilidade de um Império que se estendia da Europa à Ásia. Como técnicas de domínio, fez uso da divulgação de códigos éticos por ele elaborados, e pelas ideias nascentes do cristianismo, em especial a ideia de o amor ao próximo e o bem à coletividade serem as fontes da felicidade. Listo algumas passagens que avalizam minha percepção:

  • “A finalidade dos seres racionais é obedecer a razão e a lei da cidade e sua Constituição mais venerável.”
  • “Que o Deus que está em você proteja um ser viril, venerável, um cidadão, um Romano, um chefe, um homem que disciplinou a si próprio, que está pronto como um soldado atento ao toque da marcha a sair da vida e cuja palavra dispensa Juramento e fiadores.”
  • “Não é evidente que os inferiores existem para se inspirarem nos superiores? Olha, mas as coisas que possuem vidas são superiores às coisas inanimadas e entre os seres vivos, são superiores àqueles que possuem a faculdade da razão.”
  • “Em um aspecto, o homem (sic) é o que há de mais aparentado a nós [nós quem?], tanto que devemos desfazer bem e suportá-los. Mas, na medida em que são obstáculos às ações que me são próprias, convertem-se os homens em algo diferente para mim, não menos que o Sol, o vento ou a besta.”
  • “Abrace tudo o que lhe acontece, ainda que lhe pareça penoso, porque conduz aquele objetivo, a saúde do mundo e ao progresso e ao bem-estar de seus.”
  • “Concebi a ideia de uma Constituição baseada na igualdade ante a lei, regida pela equidade e pela liberdade de expressão igual para todos, e de uma realiza que honra e respeita, acima de tudo, a liberdade de seus súditos [acrescento eu que desde que ajam de acordo com seus ensinamentos].”
  • “A finalidade dos seres racionais é obedecer à razão e à lei da cidade e sua constituição mais venerável.”
  • “Quem foge do seu senhor é um desertor. A lei e nosso senhor, e quem a transgride é um desertor. “
  • Pense que só ao entre racional foi dado obedecer voluntariamente, conquanto seja imperativo obedecer simplesmente.
  • “Considere também que não há grande diferença entre morrer amanhã ou daqui a muitos anos.” [Conselho perfeito de um General para os soldados que manda para o front!]
  • “Por culpa [de alguns homens] poderia ser criado obstáculo para alguma das minhas atividades, mas graças ao meu instinto e à minha disposição, não são obstáculos, devido à minha capacidade de seleção e de adaptação às circunstâncias.”
  • “Tudo quanto eu fizer, quer por mim mesmo, quer com a ajuda alheia, deve tender a um objetivo único; o que é útil e conveniente a minha comunidade.”
  • “O dar, sem vacilo, a cada um segundo seu mérito.”
  • “Afasta a sua sede de livros, para não morrer amargurado, mas verdadeiramente resignado e grato de coração aos deuses.”
  • “Aprenda a reverenciar o que há de melhor no universo, o que se serve de tudo, e comanda todas as coisas.” [Não mais os deuses, mas Deus.]
  • “O único fruto da vida terrena é uma piedosa disposição e atos uteis à comunidade.”
  • “Tudo quanto eu fizer, quer por mim mesmo, quer com a ajuda alheia, deve tender a um objetivo único: o que é o último e conveniente à minha comunidade?
  • “O que mais buscarei se minha presente ação é própria de um ser inteligente, sociável e sujeito à mesma lei de Deus?
  • “O único fruto da vida terrena é uma piedosa disposição e atos úteis à comunidade.”
  • “Grande é o homem que cuida de não fazer o que vai contra a divindade e aceita tudo o que Deus lhe atribui. Isso é estar em harmonia com a natureza.”

Evidentemente, manutenção do poder político e honestidade intelectual não podem conviver na mesma sala sem expor conflitos morais. “Meditações” é um balaio de incongruências e contradições entre defender a natureza humana e a necessidade de que os cidadãos se mantenham subservientes às leis dele, que, como visto acima, se considerava um ser “superior”.

Tratemos de Epiteto (50-135 DEC), que foi contemporâneo de Marco Aurélio por cerca de 14 anos[3].  Se me considerei um estoico, foi por reflexões como estas:

  • “Eu, em Correntes? Você pode colocar grilhões em meus pés, mas a minha vontade, nem mesmo o próprio Zeus pode dominar”.
  • “Seja persistente, as pessoas que o ridicularizam agora, depois, o admirarão.”
  • “Quem afronta, insulta ou agride não é a pessoa, mas sim a visão que temos desses atos como um insulto. (...) Fique certo de que é a sua própria opinião que o provoca.”
  • “Se você assumir um papel que está além da sua capacidade, você tanto se desonrará nele quanto deixará de lado um papel no qual poderia ter sucesso.”
  • Os homens não se abalam com as coisas, mas com a percepção que têm das coisas.
  • “A matéria da arte de viver é a vida de cada um.”
  • “Com certeza não é fácil manter sua vontade em Harmonia com a sua natureza e manter as aparências ao mesmo tempo. Mas enquanto você estiver absorto em um, você necessariamente irá negligenciar o outro.”

Tais pensamentos são como “música para os meus ouvidos”. Não tiro nem coloco uma vírgula. Mas meu entusiasmo durou pouco. Tal como Marco Aurélio, Epicteto cai, não só em contradições, mas diz absurdos tais como:

  • “Reprima completamente o desejo (sic), pois se você deseja alguma das coisas que não estão em nosso poder, você necessariamente ficará desapontado.” [Mas qual é o problema em se desapontar? Não é parte da experiência de viver? Não é o reconhecimento de uma decisão errada que é  a essência do crescimento intelectual e espiritual?
  • “Deve-se sempre estar alerta para quando o capitão chamar (...) Se, em vez de uma trufa ou marisco, uma esposa ou um filho for concedido a você, não há nenhum problema. Mas se o Capitão chamar, corra para o navio. Deixe todas essas coisas e não olhe para trás.”  O absurdo aqui se revela mais absurdo quando Epicteto compara a perda de uma xícara que se quebra com a perda de um filho ou de uma esposa. Encerra ele o relato da comparação:
  • “ Se qualquer um deles morrer, você poderá suportar.” [!!!] Ele foi além da simples repressão ao desejo, ele aponta para um visão de ausência  absoluta de compaixão, amor e empatia, uma frieza só compatível com um compromisso de servilidade ao poder em vigência. Psicopatia pura. Mas não satisfeito, Epicteto arranja uma justificativa digna de nossos “regressistas” contemporâneos, o ladrão que rouba como preposto do desejo de outro:
  • Através dele [do ladrão], aquele que a deu a pediu de volta. [!!!! Não ria!]

Tal quadro mostra que toda a filosofia, aqui a considerada como “clássica”, ou “original”, ou “primeira”, está impregnada de interesses pessoais circunstanciais. A estupidez se manifesta na humanidade desde áureos tempos.

E chegamos a Séneca (4 AEC a 65 DEC), que antecedeu a Epicteto e Marco Aurélio, mas chegou a ser parcialmente contemporâneo dos dois.

Tive acesso a muito pouco sobre este pensador. O que exponho está no que publicou sob o título de "Sobre A Brevidade da Vida", onde, obviamente, fala sobre vida e morte. E foi conselheiro de Nero e, em princípio, toma por base "ideais estoicos clássicos de renúncia aos bens materiais em busca da tranquilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação".[4] 

Foi contemporâneo de Jesus de Nazaré e teria trocado reflexões com Paulo (Saulo) levando este a incorporar ao cristianismo ideias do estoicismo.

Vejamos algumas proposições (conselhos) de Séneca:

  • “A filosofia molda e constrói a alma e ordena a nossa vida, orienta a nossa conduta, mostra-nos o que devemos fazer e o que devemos deixar por fazer.”
  • “A vida do filósofo, portanto, tem um amplo espectro e ele não está confinado pelos mesmos limites que os outros. Algum tempo se passou? Ele o recupera pela memória. O tempo está presente? Ele o usufrui. Ainda está por vir? Ele o antecipa. Ele torna sua vida longa, combinando todos os tempos em um só.”
  • “O melhor remédio para a ira é o tempo. Implore a sua raiva para que lhe dê tempo., não para que você perdoe a ofensa, mas para que possa formar uma decisão correta sobre ela.”
  • “Por que preciso me preocupar com o que digo na presença do meu amigo? Não deveria eu me considerar sozinho quando estou na companhia dele?”
  • “Ele recorre a Sócrates para desvalorizar o Ser: “Você é uma pequena alma que carrega consigo um cadáver.” [Ou seja, reduz a natureza humana à existência de um nada.]
  • “Os ensinamentos estóicos (...) inspiram esperanças de uma recuperação moral (...).” [A “verdade estoica” como panaceia para uma vida morna.]
  • “De quem irão refrear as paixões? A quem tornarão mais corajoso, mais justo, mais nobre?” [O que ele quis dizer? Que “verdades estoicas” não servem para tal?
  • “Toda espera nos é penosa. No entanto, o momento que desejamos é breve e rápido, tornando-se muito mais curto por nossa própria culpa, pois fugimos de um prazer para outro, sem permanecer fixos em apenas um desejo.”
  • “O que é se não inflamar nossos vícios, ter os deuses como nossos patrocinadores e desculpar nossa própria fraqueza por meio do exemplo da divindade?”

Bem, o Leitor tem a ideia bastante com o que refletir. Para mim, o estoicismo como TODOS os ismos, cai num baleio de interesses filosóficos personalíssimos a serviço das circunstâncias da ocasião. E repare que passados 20 séculos, parece que são questões emergidas no presente!

Para encerrar, vou apresentar algumas citações divididas em ... categorias: observações extraídas da vida prática – não são conselhos, são alertas -, citações estranhas ou hilárias, e outras que são opiniões com as quais compartilho em alguma medida.

OBSERVAÇÕES DA PRÁTICA

  • “E como dizia Zenão: mesmo na mente do sábio, uma cicatriz permanece depois que a ferida está completamente curada.”
  • “O maior obstáculo da vida é a expectativa, que depende do amanhã e do desperdício do hoje. Você dispõe daquilo que não está nas mãos, as circunstâncias, e deixa de lado o que está em suas mãos.”
  • “Todas as coisas que ainda estão por vir estão na incerteza.”
  • “Certo homem é possuído por uma avareza insaciável, outro por uma devoção laboriosa a tarefas inúteis; um é obcecado pelo vinho; outro, paralisado pela preguiça; outro homem está exaurido. [E assim é a vida, cada um vivendo-a do seu melhor jeito!]
  • "Realizar sua ambição depende da decisão de outros; (...)”.
  •  “Novas preocupações tomam o lugar das antigas. A Esperança realizada faz nascer nova esperança; a ambição, nova ambição.”
  • “Nunca faltarão razões para a ansiedade ter nascido na prosperidade ou na miséria. A vida avança em uma sucessão de envolvimentos.”
  • “Um povo faminto não escuta a razão, nem se apazigua com a justiça, nem se inclina por qualquer súplica.”

 

CITAÇÕES ESTRANHAS (Além das já mencionadas.)

  • “Nenhum sucesso é alcançado por um homem que se ocupa com muitas coisas (...) uma vez que a mente distraída por interesses divididos não absorve nada profundamente, mas rejeita tudo o que lhe é imposto.” [Ainda bem!]
  • “Não está em nosso poder escolher os pais que a Fortuna nos deu, que eles foram dados aos homens por acaso. No entanto, podemos ter um renascimento de acordo com nossa escolha. Há famílias do mais nobre intelecto. Escolha aquela na qual deseja ser adotado.” [Pode haver conselho mais prático e frio: abandone seus pais e busque outros mais “promissores”!]
  • “Vergonhoso é aquele que, ao morrer, arranca um sorriso do herdeiro a quem muito tempo fez esperar.” [Há, há, há!]
  • “Deus está perto de você, ele está com você, ele está dentro de você.” [Mas por que você precisa ficar me dizendo como devo ser?]

 

OPINIÕES COMPARTILHADAS

  • “Se desejamos saber o quão breve sua  vida é, que se reflita sobre quão curta  é a parte que nos toca.”
  • “Todos os intelectos brilhantes de todos os tempos nunca deixaram de se espantar com a densa escuridão da mente humana. Os homens não permitem que ninguém se apodere de suas propriedades e correm a pegar em pedras e armas se houver a menor disputa sobre os limites de suas terras, mas permitem que outros invadam suas vidas - na verdade, eles próprios convidam os invasores.”
  • “Todos apressam a vida e sofrem com a ânsia do futuro e o tédio do presente.”



[1] Trato extensamente sobre Eventos/Instantes no que escrevo em “UniPerso”.

[2] Meu neto hoje mora nos Estados Unidos e estuda em um universidade na Florida.

[3] Há controvérsias. De acordo com algumas fontes, Epicteto teria morrido em Nicópolis, entre os anos de 125 e 130.

[4] Fonte: Wikipedia






quarta-feira, agosto 27, 2025

O DISCURSO DE HOWARD ROARK

NOTA INTRODUTÓRIA: Ayn Rand, a autora das ideias que trago aqui, construiu um personagem, portanto utópico, idealizado, com uma personalidade que leva ao extremo sua integridade em respeitar a si mesmo. Entre ele, o egoísta, e seus antagônicos, os altruístas, há uma infinidade de modelos de personalidade que mixam os dois princípios. O interesse da autora é questionar as ideias e valores defendidos por uma ideologia do coitadismo do desprovido, do medíocre, do parasita, tão presente hoje em nossa mundo, apesar destes escritos terem sido publicados há cerca de 80 anos, em plena Segunda Guerra Mundial. O seu interesse, portanto, não é o de tornar os bilhões de indivíduos do planeta em howards, mas demonstrar que a humanidade precisa deles para que os outros possam ter uma vida melhor. Boa leitura e fique bem! 

Considero Ayn Rand uma filósofa em essência, pois em seus romances ela vai muito além de ser uma escritora excepcional. Suas obras são um mergulho profundo na alma humana. Depois de ler “A Revolta de Atlas”, em 2024, terminei neste agosto de 2025 a leitura de “A Nascente”[1], uma verdadeira ode à integridade de pensamentos e atos. Seus personagens são construídos com um rigor só encontrado nos maiores escritores de todos os tempos. Sua leitura, se não transformar o leitor, abala-o inexoravelmente, pois ela não tem medo de apertar com toda a força os pontos mais dolorosos de nossos espíritos e certezas sobre nossos valores.

Resolvi fazer esta publicação para manifestar minha admiração pelo pensamento de Ayn Rand e no intuito de estimular outras pessoas a refletir sobre suas ideias. Retirei algumas partes de um discurso do personagem Howard que considerei pertinentes à nossa atualidade e editei esta postagem[2].

Preciso, antes, esclarecer dois termos que serão frequentes. O primeiro é “criador”, com letra minúscula, significando, simplesmente, “aquele que cria”, que faz, que realiza, que empreende, que corre riscos e assume as consequências com a naturalidade dos estoicos. O segundo, em contraste, é o “parasita”, aquele que se coloca como “vítima”, injustiçado, que clama por proteção e se guia pela inveja.

No prefácio, a autora justifica sua motivação para expor suas ideias dizendo que “não podemos abandonar o mundo para aqueles que desprezamos”. E mais adiante exemplifica dizendo que “os que odeiam o homem”, como ela o entende,  são aqueles que o veem como uma criatura desamparada, depravada e desprezível - e lutam para jamais deixá-lo descobrir que não é assim. Para ela, há uma história milenar de pregação intencional e maléfica da fragilidade humana.

Estas notas que faço visam tão-somente o entendimento correto das passagens selecionadas. Evidentemente para entender com absoluta clareza em que a autora acreditava, é preciso ler todo o romance.

Se você preferir, o áudio-vídeo desta publicação está no no “Canal do Paulinho”[3] com o título “O Discurso de Howard Roark”. Vamos lá.

“Há milhares de anos, o primeiro homem descobriu como fazer o fogo. Ele provavelmente foi queimado na fogueira que ensinara os seus irmãos a acender. Foi visto como um homem maligno que havia tratado com um demônio temido pela humanidade.

“Mas a partir de então, os homens possuíram o fogo para aquecer-se, para cozinhar sua comida, iluminar suas cavernas. Ele lhes deu uma dádiva que não haviam concebido, e removeu a escuridão da face da Terra.

“Séculos mais tarde, o primeiro homem inventou a roda. Ele provavelmente foi despedaçado na própria roda que ensinara seus irmãos a construir. Foi visto como um transgressor que se aventurou em território proibido. Mas a partir de então, os homens puderam viajar além de qualquer horizonte. Ele lhes deu uma dádiva que não tinham concebido e abriu as estradas do mundo.

“Esse homem, o primeiro que não se submete a ninguém, figura nos primeiros capítulos de todas as lendas que a humanidade já registrou sob suas origens. (...) Adão foi condenado a sofrer porque comeu o fruto da árvore do conhecimento. Qualquer que fosse a lenda, em algum lugar nas sombras de sua memória, a humanidade sabia que sua glória começou com um único homem e que ele pagou pela sua coragem.

“Ao longo dos séculos, existiram homens que deram os primeiros passos em novos caminhos, armados apenas com sua própria visão. Seus objetivos variavam, mas todos eles tinham algo em comum: o seu passo era o primeiro, o seu caminho era novo, a sua visão era original e a reação que receberam foi... o ódio.

“Os grandes criadores - pensadores, artistas, cientistas, inventores... - enfrentaram sozinhos os homens de seu tempo. Todas as grandes ideias originais foram atacadas. Todas as invenções revolucionárias foram denunciadas. O primeiro motor foi considerado uma bobagem. O avião impossível. A máquina de tear maligna. A anestesia, pecaminosa. Mas os homens de visão independente seguiram adiante. Eles lutaram, sofreram e pagaram. Mas venceram.

“Nenhum criador foi motivado pelo desejo de servir aos seus irmãos, porque estes rejeitavam a dádiva que ele oferecia, a dádiva que destruía a rotina preguiçosa de suas vidas. A verdade do criador era sua única motivação, a sua própria verdade e seu próprio esforço para alcançá-la da sua própria maneira. Uma sinfonia, um livro, um motor, uma filosofia, um avião ou um prédio... sua criação era seu objetivo e sua vida. (...) A criação que dava forma à sua verdade. Ele colocava a sua verdade acima de tudo e a defendia contra todos.

“Sua visão, sua força e sua coragem originavam-se de seu próprio espírito. O espírito de um homem, entretanto, é o seu próprio ego, a entidade que é a sua própria consciência. Pensar, sentir, julgar e agir são funções do ego.

“Os criadores não eram altruístas. (...) O criador não servia a nada nem a ninguém. Ele vivia para si próprio.

“É somente porque viveu para si próprio é que o criador pode conquistar as coisas que são a glória da humanidade. Essa é a natureza da conquista.

“O homem (...)  nasce desarmado, seu cérebro é sua única arma. (...) Tudo o que somos e tudo o que temos vem de um único atributo do homem: a capacidade de sua mente racional.

“Mas a mente é um atributo do indivíduo. Um cérebro coletivo é algo que não existe. (...)  O uso da razão tem que ser executado por cada um individualmente. (...) Nenhum homem pode emprestar seu cérebro para que outros pensem. Todas as funções do corpo e do espírito são individuais, não podem ser compartilhadas nem transferidas.

“A força motriz é a faculdade criativa, que usa [uma criação] como material e origina o próximo passo. Essa faculdade criativa (...)  é propriedade de cada indivíduo. (...) Nenhum homem pode dar a outro a capacidade de pensar, e essa capacidade é o nosso único meio de sobrevivência.

“O homem pode sobreviver de 2 maneiras, por meio do uso independente de sua mente ou como um parasita alimentado pelas mentes de outros. (...) O parasita toma emprestado. O criador enfrenta a natureza sozinho. O  parasita enfrenta a natureza através de um intermediário. A preocupação do criador é a conquista da natureza, a preocupação do parasita é a Conquista dos homens.

“O criador vive em função do seu trabalho, ele não precisa de ninguém. Seu objetivo principal está dentro de si mesmo. O parasita vive em função dos outros, ele precisa dos outros. Os outros são a sua motivação principal.

“O parasita declara que o homem existe para servir aos outros. Ele prega altruísmo, que é a doutrina que exige que o homem viva para os outros e dê mais importância aos outros que a si próprio.

“Aos homens foi ensinado que a dependência é uma virtude. Mas um parasita faz daqueles a quem serve parasitas também. O homem que vive para servir aos outros é o escravo. (...)  O mais repugnante é o conceito de escravidão espiritual. (...) O homem que se escraviza voluntariamente em nome do amor é a criatura mais desprezível que existe. Ele degrada a dignidade do homem e degrada o conceito de amor, mas essa é a essência do altruísmo.

Aos homens foi ensinado que sua primeira preocupação é aliviar o sofrimento dos outros. (...) Sob essa perspectiva, o homem deve desejar que os outros sofram, para que ele possa ser virtuoso. Essa é a natureza do altruísmo.

“O criador não se preocupa com a doença, mas com a vida. Ainda assim, o trabalho do criador eliminou doença após doença, curando tanto o corpo quanto o espírito do homem, e aliviou o sofrimento humano numa escala que altruísta nenhum jamais poderia conceber. (...) O criador é o homem que discorda. Aos homens foi ensinado que nadar a favor da corrente é uma virtude. Mas o criador é o homem que vai contra a corrente. Aos homens foi ensinado que se unir aos outros é uma virtude, mas o criador é o homem que fica sozinho.

“Aos homens foi ensinado que o ego é sinônimo do mal e que esquecer o ego e ser altruísta é o ideal da virtude, mas o criador é o egoísta no sentido mais absoluto, pois o homem sem ego é aquele que não pensa.

“Duas concepções foram oferecidas ao homem  como polos do bem e do mal: altruísmo e egoísmo. (...)  Quando a essas concepções foi adicionada a ideia de que o homem deve se alegrar com o sacrifício pessoal, [ou seja] a auto imolação, a armadilha se fechou. O homem foi forçado a aceitar o masoquismo como seu ideal, sob ameaça de que o sadismo era sua única alternativa. Essa foi a maior fraude jamais perpetrada contra a humanidade.

“A escolha não é o sacrifício pessoal ou domínio sobre os outros. Ela é independência ou dependência. O código do criador ou o código do parasita (...). Essa é a questão básica, e ela procede da alternativa entre a vida e a morte. (...) Tudo o que resulta do ego independente do homem é bom. Tudo o que resulta da dependência de um homem em relação ao outro é mau.

“O egoísta, no sentido mais absoluto, não é o homem que sacrifica os outros. O egoísta é o homem que está acima da necessidade de usar os outros. (...) Ele não existe para benefício de nenhum outro homem e não pede a nenhum outro homem que exista para seu benefício. Essa é a única forma possível de irmandade e respeito mútuo entre os homens.

“A Independência de um homem é a única medida da sua virtude, do seu valor. (...) Não o que fez ou deixou de fazer pelos outros. O único padrão de dignidade pessoal que existe é a independência.

“Os homens trocam o seu trabalho de livre e espontânea vontade, com mútuo consentimento e para vantagem mútua sempre que seus interesses pessoais [egoístas] coincidem e ambos desejam a troca. Se não desejam tratar um com o outro, não são forçados a fazer isso. Ambos podem continuar seguindo seus caminhos. Essa é a única forma possível de relacionamento entre iguais. Qualquer outra é uma relação entre escravo e dono, ou entre vítima e carrasco.

“O primeiro direito na Terra é o direito do ego. A principal obrigação do homem é consigo mesmo. Sua lei moral é nunca permitir que seus principais objetivos residam dentro de outros. Sua obrigação moral é fazer o que deseja, desde que seu desejo não dependa basicamente de outros (...)

“Aqueles que dominam os outros não são egoístas, eles não criam nada. A sua existência depende inteiramente de outros. (...)  Eles são tão dependentes quanto o mendigo, (...)

“O criador rejeitado, hostilizado, perseguido, explorado, perseverou, seguiu adiante e, com sua energia, carregou toda a humanidade com ele. O parasita não contribuiu com nada para esse processo, exceto com os obstáculos. (...)

“O bem comum do coletivo, da raça, da classe, do estado, foi a negação e a justificativa de todas as tiranias estabelecidas sobre os homens. Os maiores horrores da história foram cometidos em nome de motivos altruísticos. Será que já foi cometido algum ato de egoísmo que possa igualar a carnificina executada pelos discípulos do altruísmo? (...) Os piores carrascos foram os mais sinceros, eles acreditavam na sociedade perfeita, alcançada através da guilhotina e do pelotão de fuzilamento. Ninguém questionou na história o direito de matar porque matavam por motivações altruístas.

“Os atores mudam, mas o curso da tragédia permanece o mesmo. Humanitários que começam declarando seu amor pela humanidade e acabam com banhos de sangue. Assim foi e assim será enquanto se acreditar que uma ação é boa se for altruísta. (...)

“A única forma de os homens se beneficiarem mutuamente e a única declaração de um relacionamento apropriado entre eles é: não se meta.

“A sua própria felicidade (...)  é uma motivação pessoal individual, egoísta.  Olhem para os resultados, examinem suas próprias consciências.

“Agora, na nossa época, o coletivismo, o reinado do parasita (...) , do medíocre, o monstro antigo está à  solta e correndo descontrolado. Ele levou os homens a um nível de indecência intelectual nunca igualado na face da Terra. Causou horror numa escala sem precedentes. Envenenou todas as mentes. Engoliu a maior parte da Europa. Está tomando conta de nosso país.

“Eu vim aqui para dizer que não reconheço o direito de ninguém a um minuto sequer da minha vida, nem a nenhuma parte da minha energia, nem a nenhuma conquista minha. (...)

“Eu quis vir aqui dizer que sou um homem que não existe para servir aos outros. Isso precisava ser dito. O mundo está perecendo por causa de uma orgia de sacrifícios pessoais.

“Eu quis vir aqui dizer que a integridade do trabalho criativo de um homem é muito mais importante que qualquer projeto de caridade. Eu não reconheço nenhuma obrigação para com os outros homens, com uma única exceção, respeitar a sua liberdade e não participar de nenhuma maneira em uma sociedade escravocrata.

O que você acaba de ler, é uma mínima parte das ideias defendidas por Ayn Rand, uma cidadã russa que emigrou de seu país após a revolução bolchevique, e se tornou cidadã americana. Seu livro “A Revolta de Atlas” já ultrapassou a marca dos 11 milhões de exemplares vendidos e é considerado, depois da Bíblia, o livro mais influente nos Estados Unidos. “A Nascente” já ultrapassou 6 milhões e seu texto é discutido em universidades.”


Obrigado pela sua atenção.





[1] Ayn Rand (1905-1985). “A Nascente” (no original “Fountainhead”), foi escrito entre 1936 e 1943, quando foi publicado, isto depois de ter sido rejeitado por outras 12 editoras.

[2] Entre colchetes [] são inserções minhas.

[3] Canal do Paulinho: 

https://www.youtube.com/user/paulovogel09



domingo, agosto 17, 2025

A PRECISÃO DE OLAVO

 

Me afastei do noticiário político recentemente por algumas razões. Uma delas é a inutilidade da participação de gente como eu, integrante desta massa chamada povo. Uma outra razão é a repetitividade cíclica das falas hipócritas de nossos psicopatas cocos, líderes – “zélites” como os chamou Olavo - acobertados pela oligarquia[1] hipócrita dominada pelo socinismo assassino de mentes.

E é a Olavo de Carvalho[2] que recorro para ecoar, em letras garrafais, em negrito e com aspas, o aviso que ele, de seu túmulo, está gritando:

“EU OS AVISEI!!!

Se reconheço minha insignificância e não tendo o Mestre em vida para mexer com nossos neurônios, ao menos me obrigo a não deixar que se enterre no túmulo da história brasileira, suas relevantes advertências como paladino da resistência à barbárie político-cultural que vivenciamos. 

Os que leram Olavo e entenderam o que tentou transmitir e não têm problema de memória, a leitura desta postagem é uma revisão e exercício contra o esquecimento. Reafirmo o verso "É preciso reler Olavo" no "Poema da Precisão" que publiquei no canal do Paulinho.

Este conteúdo tem uma relevância maior para os demais, os “desavisados e sabichões”[3], com o intuito de lhes esclarecer que nada do hoje é fruto do agora, mas de uma construção histórica lenta e gradual, obra de muitas mentes neurologicamente perturbadas.

O reproduzido aqui coletei de “Seminarium Olavo de Carvalho – Páginas de um diário filosófico – Volume 2: 2010 a 2013” e de “O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota”. Ao avaliar cada pensamento, cada alerta, atente para o ano em que foram proferidos.


 

DE SEMINARIUM

Respeito a divisão feita na edição da Vide Editorial.


COMUNISMO E FORO DE SÃO PAULO

2012

“(...) por que os sovietólogos ocidentais, tão prestigiosos, tão bem pagos tão dotados de amplos meios de investigação, não atinaram nem por um momento com a queda iminente da URSS?”

“A lógica revolucionária é a desorganização sistemática da sociedade e o aumento do poder do grupo revolucionário.”

 

2013

“Uma hipótese viável é que o estado de confusão se torne crônico e se integre no dia a dia da população, como aconteceu com o banditismo, servindo de cortina de fumaça para mudanças mais profundas e menos visíveis vindas de cima.”

“Se os militares não reagirem diante do descalabro, a solução para os que não admitem tal estado de coisas é pedir para serem fuzilados em praça pública ou exilados para alhures, por que aqui será impossível viver.” General de Brigada Valmir Fonseca Azevedo Pereira.

“Porque o sujeito não se sente comunista, e participa do movimento, ele conclui que o movimento não é comunista.”

“A soma das vozes populares dá potência ao movimento, mas é a liderança que o canaliza e aproveita politicamente.”

“No meu modesto entender, [os militares] só estão buscando uma desculpa elegante para desaparecer, e aliás nem precisam disso, pois já desapareceram.”

“Movimentos custam muito dinheiro; nenhum tem começo modesto, todos vêm das grandes fortunas.”

“Em todas as revoluções, quem tira proveito da agitação pública não é quem tem o coração do lado das massas, é quem tem a visão estratégica de para onde conduzi-las.”

“Lênin só voltou à Rússia porque tinha uma elite organizada, com vinte anos de experiência, pronta para tomar o poder.”

“Ninguém tenta se precaver contra um mal que julga inexistente.”

“A zélite no Brasil é cagona por natureza, sempre puxa o saco do mais forte.”

“’Causa’, por definição, é uma meta coletiva a que o indivíduo serve sem ter nenhum controle de para onde ela vai, mas confiando que irá na direção dos seus sonhos, e, portanto, assumindo uma responsabilidade que mais tarde, se a coisa acabar tomando um rumo indesejado, ele negará com todas as suas forças.”

“Livrar-se de um último ranço de esquerdismo sentimental é difícil.”

“A estratégia do Foro de São Paulo é a revolução permanente, obstinada, incessante, variando de camuflagem dia após dia. São pequenos golpes que se acumulam ao longo dos anos até que a vítima se torna insensível e incapaz de se defender.”

“Ocupação de espaços não se combate com ideias, mas com desocupação de espaços.”

“O que está em jogo não é liberdade de opinião e sim o acesso a instrumentos de influência, que são instrumentos de poder.”

“Fulanos que só têm “divergências de ideias” com os comunistas, mas não se envergonham e até se orgulham de ser amigos deles, são como um pai que discorda gentilmente de alguém que estupre a sua filhinha.”


POLÍTICA E MILITÂNCIA

2011

“Se o agressor é negro [ou LGBTQI+] , a legitima defesa é proibida.”

“Quando uma teoria não tem substância cognitiva própria, quando ela é apenas uma camuflagem de um jogo de poder, discuti-la em si mesma é entrar no jogo. É preciso quebrar a confiança do jogador, fazê-lo pedir para sair.”

“(...) o golpe de 64 exigiu dois anos de preparação (...)”

“Decorridos vinte anos a China enriquecida pelo dinheiro americano tornou-se a  maior credora dos Estados Unidos, a ditadura continua firmemente instalada em Beijing e a democracia corre o risco de extinguir-se na América.”

[Por acaso] “uma criança pode avaliar as diversas identidades sexuais possíveis e escolher a sua antes da experiência de ter alguma?”

 

CULTURA, ESTUDOS E ASSUNTOS PERENES

2012

“Infelizmente não é possível transmitir alta cultura a milhões de pessoas antes de havê-la transmitido a uns milhares, nem a uns milhares antes de havê-la transmitido a uns poucos.”

“As ideologia são, por definição, simplificações deformantes.”

“Não há comunista bem intencionado. Todo comunista é um mau caráter,  um pervertido mental, um porco. [E quem dá atenção e direitos a eles] é um filho da puta.”

“O comunismo não é contra o liberal-conservadorismo: é contra a humanidade.”

“O grande paradoxo que vocês vão encontrar no estudo do comunismo é: Como é possível que uma proposta que sempre fracassou em criar uma sociedade decente tenha ao mesmo tempo um sucesso sempre crescente como movimento revolucionário?” [Uma ideia de resposta você pode encontrar no PODPAULOS “A Ignorância dos Patos Novos”, de 10/8/25: https://www.youtube.com/watch?v=tuYyPwvPZwg&t=206s]

“O Brasil, de dentro e de perto, é o horror, a depressão, o nojo, a raiva impotente. De longe, é só tristeza e pena. É mais fácil de aguentar.”

“O problema do Brasil é que ele mata você aos poucos, anestesicamente, quase docemente, e a mídia ainda capricha no soporífero para alimentar sonhos insensatos e manter você numa fila eterna, à espera do impossível.”

“Preparem-se. Nos próximos anos a desordem do mundo atingirá o patamar da alucinação permanente e por toda parte a mentira e a insanidade reinarão sem freios.”

“Pode haver alguma satisfação em contestar erros filosóficos, mas maior, suprema, insuperável, é a satisfação de provar que um grande filósofo tinha ainda mais razão do que ele próprio chegou a perceber.”

“Tudo em volta induz à loucura, ao infantilismo, à exasperação imaginativa. Contra isso o estudo não basta. Tomem consciência da infecção moral e lutem, lutem, lutem pelo seu equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez.”

“Todo psicopata é, por definição, psicologicamente invencível. Por mais que você lhe mostre seus erros e prove os seus crimes ele continuará não só proclamando inocência, mas cantando vitória.”

Groucho Marx: “Afinal, você vai crer em mim ou nos seus próprios olhos?”

“Se [vocês] não conseguem evitar a companhia dos psicopatas mediante uma precaução instintiva, podem acabar cedendo e se submetendo ao domínio da mente mais agressiva, mais veloz, mais maliciosa e mais hábil.”

[Quando identificamos algo de anormal em nosso antagonista] “É preciso advertir a plateia de que estamos todos na presença de um criminoso.”

“O Brasil tem um excesso de jovens palpiteiros e uma carência fatal de homens adultos.”

“Numa sociedade subdesenvolvida, a cultura adversária torna-se rapidamente cultura oficial e seu empreendimento de auto destruição, agora legitimado pelo estado, arrasta a população inteira para a loucura e o crime.”

Erik Satie: “Nem todos os animais receberam os benefícios de uma educação humana.”

 

DE “O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA”

A coexistência pacifica das instituições democráticas formais com a total supressão da concorrência ideológica que define as democracias saudáveis, eis precisamente o que caracteriza a situação brasileira atual. (1999)

Todos parecem surpresos com o estado de coisas, mas ele era mais que previsível. Desde o começo da década de noventa, quando o PT investiu  pesado na construção de uma imagem de moralidade impoluta, avisei que a chegada desse partido ao poder inauguraria uma era de corrupção que faria empalidecer os mais rubros escândalos dos governos anteriores. (2005)

Os velhos políticos corruptos limitavam-se a roubar. O PT transformou o roubo em sistema, o sistema em militância, a militância em substitutivo das leis e instituições, rebaixadas à condição de entraves temporários à construção da grande utopia. (2005)



Paulo Vogel

Neste meio, eu sou a mensagem.

AGO/25



[1] Cocoligarquia, termo que uso para referenciar a oligarquia corrupta e covarde responsável por empurrar o Brasil para o precipício, esquecendo que estão dentro do mesmo barco.

[2] Olavo faleceu em jan/2022, aos 74 anos, em sua casa na Virginia, USA.

[3] “Desavisado e Sabichão” é título de um livro que escrevi há vinte anos. A íntegra está em: www.desavisadoesabichao.blogspot.com








quarta-feira, julho 30, 2025

IMPREVISÍVEIS PREVISÕES


Estamos no final de julho de 2025, um mês que, prevejo, poderá ficar na história como marco de um tempo de incertezas, especialmente para o Brasil, este país capenga, previsto um dia vir a se levantar do “berço esplêndido”, se agigantar em suas riquezas naturais, e justificar a vaga previsão de Stefan Zweig de “país do futuro”.

Estou completando e encerrando[1] – já me adianto anunciar – 8 anos de discreta escrita militante digitrônica no espectro político rotulado de “direita”, espaço frequentado por conservadores nos costumes e, em diferentes medidas, liberais na economia.

Adquiri o hábito de começar o dia vendo mensagens de emeio, e vídeos no zap e iutube. Nestes últimos dias dediquei-me a configurar a opção “não recomendar o canal”[2] em TODOS os canais que noticiam ou comentam política. No zap, saibam todos, passei a ignorar e apagar o que me mandam sobre o tema. Nada contra ninguém, mas tudo contra o conteúdo. A contrapartida é que também deixo de lhes abarrotar a escassa memória com tais irrelevâncias!


Se estou, por um lado, em puro estado de cansaço mental por me envolver nesta nuvem ocidental[3] de completo nonsense, por outro, estou tardiamente reconhecendo e aceitando não passar de um mero palhaço sem graça (ou des/graçado) no picadeiro político, sem significância para ser obstáculo ao processo em curso de desmanche da Nação.

Este reconhecimento fundamenta meu afastamento de quaisquer falas e fatos políticos, pois “é preciso”[4] proteger um estado razoável de sanidade mental.

Quando temos na presidência, um descondenado por corrupção, invocando uma pretensa “soberania brasileira” e, simultaneamente, defender a “urgência de uma governança global”, é porque a lógica foi pro “saco”.

Quando todos os condenados por roubar milhões, digo, bilhões dos contribuintes, têm suas penas ANULADAS[5] e, em sentença inversa, é negada a anistia a cidadãs condenadas a mais de 12 anos de prisão por exercer o direito de protestar, é porque uma tropa de elite neurologicamente perturbada assumiu o phoder, com h.

Quando uma ministra, em suprema hipocrisia, diz que “a censura é proibida constitucionalmente, eticamente, moralmente, e eu diria até espiritualmente“, e, em seguida, contra sua própria sentença de que “o cala-boca já morreu”, vota, sem qualquer rubor[6], a favor de “calar a boca” de 213 milhões de brasileiros, então é porque a moralidade apodreceu, e a putaria se instalou como Lei máxima da República.

E para deixar claro aos desentendidos, se tal decisão do STF não for suficiente, o mesmo sujeito que pediu a um ditador africano para lhe ensinar o segredo de como ficar 40 anos no poder, recentemente fez um pedido especial a seu guru Xi Jinping “para lhe enviar um especialista” com a incumbência de implantar seus métodos de censura por aqui. Isso é soberania lulopetista na veia!


Há muito pouco que possamos fazer além de reservar domingos para manifestar nossa “precisão” nas orlas das praias ou nas avenidas principais de algumas capitais. E não é que juntos não sejamos uma força a ser considerada. É que o mundo contemporâneo instrumentalizou desproporcionalmente “eles” e nós. Há um abismo, como nunca antes, entre os intere$$e$, com cifrões, e as armas das cocoligarquias – corruptas e covardes - locupletadas com a oligarquia dominante no ápice da pirâmide, e nós, os cidadãos fantoches, praticantes ou não de uma inocência hipócrita, crentes de que a Era Digitrônica[7] veio para nos salvar das garras do Leviatã. Como somos convenientemente tolos e crédulos!

Os acontecimentos deste último mês, se foram mais ou menos previsíveis, deixam um pacotão de imprevisibilidades. É evidente a escalada do embate entre forças globais de dentro e de fora do phoder, com h. Nesta corrida furiosa e maluca, ultrapassagens a todo instante. Pilotos psicopaticamente agressivos passam dos limites e tentam jogar o opositor para fora, não da pista, mas do campeonato. Se é imprevisível o dia em que terminará, é previsível um vencedor, aquele único sobrevivente de todos os acidentes mortais inevitáveis. Também é imprevisível seu estado de saúde na chegada e as consequências da ressaca após se embriagar com a Champagne da vitória.

É imprevisível que possa surgir um “azarão”, como no turfe, aquele pangaré em quem ninguém aposta – feito Bolsonaro em 2018 - correndo por fora, atropelando os líderes e vencendo no foto chart? Só quem viver verá!

Tudo é previsível como ação, imprevisível como resultado, neste processo de dobra de apostas num mundo em que não se respeitam mais leis e valores morais. Não que eu esteja defendendo algum valor moral em particular, mas simplesmente apontando que não há mais qualquer valor moral. Só há um valor imoral: o do intere$$e, com cifrões, de quem, em tese, recebeu o poder para exercê-lo, sem “h”, em nome de todos os cidadãos.

Minha imprevisível previsão final é que os fatos presentes têm continuidade previsível, mas ao cabo as consequências são imprevisíveis para a civilização.

Cito, caminhando para o fechamento deste desabafo, alguns pensamentos a que atribuo alguma consistência filosófica.


De AYN RAND (1905/1982. “Moralidade é o julgamento que permite distinguir o certo do errado, é a visão que enxerga a verdade, é a coragem que age com base no que vê, é a dedicação ao que é bom, é a integridade de quem permanece no lado do bem a qualquer preço. Mas onde se encontra isso?” 


De EDMUND BURKE (1729/1897:
A conveniência é a sábia aplicação do saber geral às circunstâncias particulares. O oportunismo é a sua degradação.”


De Aristóteles (-384/-322): “Devemos
disciplinar nossos apetites para que a virtude triunfe sobre o vício.”

E, por fim, de Gertrude Himmelfarb (1922/2019): "A degradação dos valores morais está ameaçando a prosperidade das sociedades e as nossas liberdades individuais básicas. O que significa uma tentativa de normalização dos desvios de caráter.” Isto lhe soa familiar?


Reforço, enfim, meu comprometimento em não falar nem escrever sobre política, políticos, jornalistas e socinistas[8]. Emitir opiniões contra ou a favor. Isto definitivamente só me traz malefícios. E pra você?

Vou ficar com os bate-papos de Paulão e Paulinho sobre temas que considerar de mínima contribuição para “entender o que acontece em nós e à nossa volta”.

Até lá! E fique bem![9]


Paulo Vogel

Neste meio, eu sou a mensagem.

JUL/25



[1] Me é incompreensível a credulidade de gente instruída que me manda um vídeo do “Paulo Guedes” conclamando o sujeito a depositar 600 reais hoje e daqui um mês, repito, um mês, ter 90 mil reais!!! E isso só para começar!!! E ao ser alertado da fraude, responde com: “Ué, mas o Paulo Guedes não tem credibilidade!!!???”.

[2] A desgraça é que tal “opção”, assim como a de “bloquear” propagandas, não são respeitadas como esperamos que sejam.

[3] Além de sempre restringir minhas alegações ao Ocidente, o lado do mundo majoritariamente cristão e democrático em que vivo, sabemos que o oriente tem vieses diferentes e até mesmo opostos e, portanto, o que em tese vale aqui, não vale por lá.

[4] Para entender as aspas em "precisão", assista, no canal do Paulinho, ao vídeo “Poema da Precisão”.

[5] Há um risco ainda não afastado de que os anistiados venham e requerer o reembolso das quantias devolvidas aos cofres públicos por conta das condenações descondenadas.

[6] Tal "distúrbio" cognitivo da ministra, obviamente, tem por fundamento uma submissão a interesses inconfessos.

[7] Digitrônica – é o termo que criei para referenciar o pacote formado pelas tecnologias digitais e eletrônicas que dominam as relações humanas em nossos dias.

[8] Socinista é outro termo que criei para referenciar o pacote ideológico socialista/comunistas, onde o primeiro é a cama para acolher o segundo.

[9] Uso essa exclamação em tributo a meu neto, Henrique Palladino, que a manifesta sempre como expressão de seu desejo ao se despedir de quem gosta.