O tema proposto é apenas um pequeno excerto dentro de um todo sobre a ação humana, mas que trato aqui por estar às vésperas de um processo eleitoral que ainda temos a esperança de que ocorra nos próximos 4 e 25 de outubro.
Fui motivado por um vídeo no Youtube que, em essência, expõe uma das falas que mais me irritam quando a ouço: “o povo não sabe votar”, e menos ainda, o “brasileiro”! É mais que hipocrisia, mas vou me ater apenas a este aspecto por ser o que interessa neste momento.
O que é saber votar, “cara-pálida”? Votar em quem você vota? Deixemos de lado este aspecto arrogante de tal argumento. É concordar com sua visão, sua análise, seus interesses? Mas se cada indivíduo tem sua própria visão, faz sua própria análise e tem seus próprios interesses, então “saber votar” não pode ser votar como você!!! Aliás, nem mesmo os que se dizem “saber votar” – sim, quem acusa “o povo” de não saber votar é porque se arvora o “saber votar” e se exclui da massa “povo” –, não estão de acordo com em quem ou no quê votar!!!???
Hipocrisia exposta, vamos ao que interessa.
Todos nós sabemos votar, sejamos “povo”, instruídos ou destruídos, parasitas ou empreendedores, analfabetos funcionais ou intelectuais cooptados, elite política, classe A, B, C, D... nenhuma classificação importa, todos temos nossas razões autocentradas para todas as nossas ações, e votar é, em instância básica, tentar exerce-la como manifestação do livre-arbítrio.
Ok, você concorda com esta obviedade no seu grupo de pertencimento, mas não no “povo”, é isso? Ah! Já sei, o “povo” não está entendendo que seus – de você – interesses estarão sendo ameaçados se o “povo” votar "errado", é isso!?
A existência e sua sobrevivência, física, mental e espiritual (ou intelectual, como queira), são absolutamente subordinadas ao momento presente. Se estou com sede, quero água agora, não depois. Se estou com dúvida, preciso buscar certeza tão logo. Se estou com medo, preciso de segurança imediata.
Evidentemente esta premência em atender interesses autocentrados é relativa à complexidade da realização de sua satisfação, mas o voto nada mais é que uma aposta que fazemos para isto, na esperança de que seja no curto prazo, porque nosso tempo de vida está se exaurindo.
O Homem, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, primeiro há que buscar satisfazer suas necessidades físicas básicas de curtíssimo prazo – abrigo, alimento, saúde e segurança -, para só depois ter interesses de médio e longo prazos – crescimento profissional, futuro dos filhos e da nação, preservar patrimônio. etc.
Um segundo aspecto é que todo ser busca sua melhor zona de conforto. Sinceramente, quem não gostaria de não precisar “ralar” para ter os recursos para a satisfação de seus interesses depositados em sua conta bancária todo santo mês? Por que você acha que é melhor o sujeito do “povo” se arriscar a perder benesses como os diversos “bolsas” socinistas e votar no candidato que promete – explicitamente ou não – que “isto tem que acabar”? Quem prefere perder benesses e privilégios?
Saber votar é votar com a minha consciência em busca do melhor para mim ou do melhor pra você? E veja que isto em nada tem a ver com educação, informação, conhecimento, nem mesmo com doutrinação. Me poupe!
Um último aspecto do voto que quero avaliar é o não-voto, o voto do isentão, ou do "odeio política" e outras razões equivalentes. O não-voto é um voto antecipado naquele que será declarado vencedor. Os que não votam pensam se livrar de um possível julgamento de responsabilidade quando as coisas dão errado e não leva crédito algum quando dão certo. O não votar, portanto, é uma atitude de covardia, de descaso para com os seus, ou de um ligar o foda-se, ou de vergonha em admitir para si mesmo em quem votaria.
Todas as ideologias, antes de serem utopias, são manifestações de uma burrice primitiva ou intencional. A absurda pretensão que têm de ser solução para a humanidade, ignora a natureza da diversidade humana – em todos as instâncias que se desejar analisar – e, portanto, não enxergam ou fingem não enxergar, o obstáculo intransponível que isto representa para se validarem algum dia. São só métodos para perpetuar um grupo oligárquico no phoder. E neste propósito são exímios em dar ao “povo” a promessa de satisfazer seus interesses “agora desta vez, se formos eleitos”.
A razão do voto não é outra senão o interesse autocentrado. E “não me venham com chorumelas!”.

